9 de nov de 2009

Deus é um conceito pelo qual medimos a nossa dor

Existem inúmeras músicas que falam sobre Deus, porém basearemos nosso texto apenas em duas. Esse é um assunto polêmico que, muitas vezes discutido com certo fanatismo, poderá causar diversas reações em vocês, nossos seletivos e amados leitores. Talvez por falarmos em "Pactos com o Diabo" no nosso tema, além de outras postagens sobre o assunto, passamos a impressão que essa postagem será tola, o que, acreditamos, não será. Bom, pararemos de enrolar e iremos direto ao assunto nos próximos parágrafos.

Deus é um assunto complexo, curioso e discutido há milhares de anos. Se deixarmos de lado a visão que a maioria dos Cristãos tem de Deus, e assim abrangermos o tema, veremos que Deus é a representação de uma entidade espiritual máxima. Algumas religiões praticam o politeísmo, e, portanto, temos várias entidades espirituais máximas. O Cristianismo é monoteísta, apesar de termos uma doutrina trinitária, todos eles (Pai, Filho e Espírito Santo) são revelados em um só Deus. O Judaísmo e o Islamismo, no entanto, não aceitam essa doutrina.

O Judaísmo tem como o seu Deus o HaShen. Na visão de HaShen, o povo de Israel foi escolhido por Deus para receber a revelação da Torá, sendo que os Judeus são pertencentes a uma linhagem com um pacto eterno com Deus. No fim do mundo, acredita-se que todos aceitarão HaShen como seu único e verdadeiro Deus.

Bom, não vou me aprofundar muito no assunto, pois só quis mostrar o quanto há uma diversidade de crenças, inclusive diversas vertentes da mesma crença. Um exemplo é a relação entre a Mitologia Grega e Romana.

No Rock, esse assunto foi bem abordado por Ian Anderson na música "My God". De uma forma resumida, ele diz que o povo fez com que Deus se curvasse a sua religião, ou seja, adaptamos Deus de acordo com os nossos interesses políticos-religiosos. A partir disso, fica fácil entender o porquê dele dizer que Deus está dentro de nós. Ele cita a Igreja da Inglaterra como sangrenta, talvez pelo fato da Igreja Católica ser responsável por diversos crimes medievais na Santa Inquisição, ou até mesmo por causa do conflito sangrento que existiu quando a Rainha Maria Tudor tentou, sem sucesso, restabelecer o Catolicismo na Inglaterra. É interessante notar que a Igreja Anglicana existe por meros interesses matrimoniais.

A outra música que aborda o tema é "God" de John Lennon. Ele afirma: "Deus é o conceito pelo qual medimos nossa dor". Lennon já havia sofrido diversas represálias ao afirmar que os Beatles eram mais famosos que Cristo, onde diversos discos deles foram queimados em praça pública. Além disso, com o término dos Beatles, ele estava sentia-se preso à figura pública do Lennon dos Beatles, do qual ele cita como "Walrus", uma referência à música "I am the Walrus". Se olharmos os princípios básicos da maioria das religiões, veremos que tudo se baseia na crença de que o sujeito sofrido terá uma recompensa após a morte.

Baseado na nossa dor do fracasso, de não reconhecermos que somos algo que não queríamos e de sonhar em ter, quando morrermos, tudo que não temos hoje, criamos o conceito de Deus, Religião, Fé etc. Quanto mais sentirmos dor e vontade de sermos o que não somos, mais forte é a fé. Não é por acaso que há diversos casos de pessoas que doam a vida por essa fé, afinal, pra eles a vida terrestre não tem valor perante o que podem ter após a morte. São casos em todas as religiões, desde os suicidas do Islamismo até os crentes fanáticos do nosso amado ocidente.

Voltando na música de Ian Anderson, ele dizia que Deus está dentro de nós. Pela minha interpretação, Deus é o nosso próprio conhecimento. Ou seja, devemos conhecer ao máximo para termos uma vida mais saudável. O autoconhecimento e a quebra de diversas barreiras mentais e corporais que nos impedem de controlarmos todo nosso ser poderia ser a chave da felicidade. Algumas religiões pregam isso de uma forma interessante, como o Budismo, mas sempre envolto de uma figura divina. Isso explica o fato de grandes pensadores buscarem nesses países algum refugio espiritual, talvez não acreditando no Deus deles, mas buscando entender qual é o meio que eles utilizam para buscar o autoconhecimento.

Lennon também deixa isso bem claro ao afirmar que não acredita em nada, somente nele e na Yoko Ono. Quando ele fala sobre Yoko, provavelmente ele esclarece, mesmo de forma sutil, que crê no amor.

Por ironia, Lennon-Walrus (O Lennon da época dos Beatles) também era visto como um Deus pelos seus fãs. Por ser algo que realmente existe, ele consegue falar com suas queridas ovelhas, mostrando a realidade:
Ontem, eu era o tecedor de sonhos
Mas agora renasci.
Eu era a morsa (Walrus),
Mas agora sou John.
Então queridos amigos,
Vocês precisam continuar
O sonho acabou.



E talvez Deus, um conceito utilizado para medir nossa dor, seja isso, um tecedor de sonhos e que, infelizmente, ninguém jamais poderá afirmar se esse sonho é, foi, ou será uma realidade.

4 de nov de 2009

Rock dos Infernos

Entenda como o diabo interferiu nos principais ícones do rock


Entre o halloween e o dia dos mortos, um tema tão sombrio quanto esta época: a influência do ocultismo e outras coisas satânicas sobre o rock. Inclusive houve um tempo em que rock era sinônimo de diabo e suas semelhanças. Além disso, o rock trata incisivamente de assuntos relacionados ao espiritismo, e não só fala de satanismo e coisas macabras.

Aleister Crowley: Referência
Seria impossível tratar deste tema sem referir a Aleister Crowley. Desde Sgt. Pepper's, aclamado álbum dos Beatles, até Raul Seixas, Aleister Crowley e seu ocultismo foram usados como base na produção das mais diversas formas musicais.
Em 1886, aos onze anos Aleister, até então filho de milionários galeses, ficou órfão e mesmo vivendo com as tias, já fazia noção de viver sozinho e se adaptou perfeitamente. Estudou em Cambridge, e ao se formar ingressou em uma ordem ocultista conhecida como Ordem Hermética da Aurora Dourada, aonde adquiriu conhecimento sobre aquele culto e lá iniciou sua vida pública, por assim dizer.

Decidiu então criar uma nova ordem, baseada em sua própria doutrina, a qual batizou de Thelema. A célebre frase "Faze o que tu queres será o todo da Lei", da música Sociedade Alternativa, escrita por Raul Seixas, nada mais é do que uma das bases usadas na doutrina Thelema.

Foi acusado de hedonista, bissexual, racista, viciado em drogas e até de espião, enfim, tudo o que um ser-humano vil pode ser. Talvez seja por causa deste Crowley's way of life que diversos artistas usavam suas doutrinas para expressar seus sentimentos.

Robert Johnson: Pioneiro
Muito mais boato que algo verdadeiro, dizia-se à época que Robert Johnson, o gigante do blues, tinha feito um pacto com o Diabo para que sempre tocasse sua guitarra de forma magistral. Tal boato foi melhor difundido com o fato de que Robert tocava de costas para o público, que comentava que ele estava escondendo sua forma ''diabólica''. O fato é que Robert era brilhante e isso despertou inveja em muitos músicos de seu tempo (anos 30). Ele alegava que, ao tocar de costas para o público, escondia suas técnicas e composições dos seus possíveis invejosos. Algumas de suas músicas mais famosas carregavam em seu título palavras bem sugestivas ao tema: Hellhound on my Trail e Me and the Devil, por exemplo. A primeira vai muito além do nome: hellhound (cão do inferno, em inglês) é um personagem mitológico que representa um cão de três cabeças. O fato é que Robert Johnson morrera envenenado e em seus lampejos finais de vida, se retorcia e até uivava como um cão,
tal fato difundiu mais ainda essa história.


Anos 60
Em uma época em que a guerra do Vietnã, a chegada do homem à Lua e o sentimento de libertação dos negros americanos eram os principais temas engajadores, haviam poucas manifestações no nicho que fazem referências ao ocultismo. Na segunda metade da década, muitos músicos resolveram seguir novos caminhos espirituais. E não estamos falando somente das indas e vindas dos Beatles aos mais diversos templos da Índia. Simpathy for the Devil, do Rolling Stones, segregaria a fama de uma banda que surgia e em pouco tempo havia feito muito sucesso. Os rumores de que tal sucesso era alcançado através de pactos com o diabo foram segregados com uma música que descrevia as virtudes e os feitos pelo coisa-ruim, e a tal ''simpatia pelo diabo'' ficava exposta ao mundo como um desafio ao moralismo da época.Os Stones dispertava um sentimento de interesse ao ocultismo nos jovens da época, jovens que futuramente formariam outras bandas, como Iron Butterfly, Led Zeppelin e Black Sabbath, entre outras. O Rolling Stones havia praticamente feito um tributo ao diabo no album Goats Head Soup (Sopa de cabeça de cabra), com o single Dancing With Mr. D. Quem seria o Mr. D???
No final desta conturbada década, o mundo conhecia três talentosos músicos que, mais por seus impulsos do que por qualquer força oculta, morrerram no auge de suas carreiras e deixaram um legado aos que viveram depois. O fato é que, aos 27 anos de idade (assim como morrera Robert Johnson), ano após ano morreria Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison. O primeiro revolucionou o instrumento que tocava através de técnicas bem peculiares. No ano seguinte, Janis Joplin, com sua voz única. Tais fatos ocorriam e passavam-se despercebidos aos olhos da mídia, até que Jim Morrison comentou sobre estas mortes e por coicidência sua morte foi a que mais causou polêmica. Após seu corpo ter sido encontrado morto em Paris, as leis francesas até então não permitiam autópsia ou qualquer outra perícia que violasse um cadáver. Um exame superficial acusava uma parada cardíaca. Mas houve rumores de que a morte de Jim fora premeditada por ele próprio devido o mesmo ter conhecimentos sobre "artes ocultas". Jim explicou a morte de Hendrix e Joplin com a premissa de que ao fragmentar 27 e somar seus dois valores, obteríamos o valor 9, que é o número máximo, e após o 9 viria o 0.



Anos 70
Talvez esta tenha sido a época mais nefasta da história do rock. Diferente da psico-alegria trazida pelo rock progressivo, o Black Sabbath trazia em suas letras guerras, fracassos, entre outras coisas. O próprio nome da banda faz referência ao dia de recesso do paganismo (sabá).
O Allman Brothers, filhos das mesmas terras de Robert Johnson, foi testigo de uma das mais sombrias histórias que o mundo do rock nos brinda. É que os Allman tinham certo carisma por um cemitério em Chicago, e era lá que ensaiavam e escreviam suas primeiras canções. Tal história conta que Duane Allman, um dos fundadores da banda, um dia teve uma overdose e foi levado às pressas ao hospital. Como primeiro diagnóstico os médicos disseram que seu quadro era crítico e que o mesmo tinha poucas chances de sobreviver. Então Barry Oakley, o baixista da banda, ajoelha e começa a rezar pedindo a Deus que dê a Duane mais um ano de vida. Depois de algumas horas os médicos informam que seu estado de saúde estava estabilizado e se recuperaria. Porém, exatos 365 dias depois deste fato, Duane morre em um acidente de moto, batendo em um caminhão. Barry Oakley morreria também em um acidente a poucos metros do primeiro acidente, depois de um ano e um mês.


Mas, até então, aonde entra o Aleister nesta história toda? Deixando de lado a sua imagem estar no meio daquelas celebridades da capa do Sgt. Pepper's, dos Beatles, Aleister deixou um de seus discípulos responsável pela difusão de seus conceitos. Seu nome era Kenneth Anger e tinha o sonho de contar uma história sobre o diabo. Chogou inclusive a convidar Mick Jagger para fazer papel d

e Lucifer em seu filme, mas Jagger o recusou. Tal filme nunca foi feito, pois Anger era perfeccionista e
como nada o agradava, decidiu cancelar tal projeto. Mas suas histórias chegaram aos ouvidos de Jimmy Page, então no Yardbirds, e Page se interessou mais e mais sobre a vida de Crowley. Comprou o sítio em que Crowley morreu, na Escócia (mesmo local onde antigamente se encotrava uma igreja que se incendiou e todos os fiéis morreram), e se tornou um colecionador de artigos que Crowley havia deixado. Resultado: logo Page passou a ser tachado de adorador do diabo, fato que seria agravado quando o Led Zeppelin, em suas turnês, eram flagrados em bizarras orgias com suas groupies.

Ozzy Osbourne seguiria carreira solo e lançou Mr. Crowley, uma nova homenagem ao sábio do oculto. Chemical Wedding, de Bruce Dickinson, era trilha sonora do filme produzido pelo vocalista do Iron Maiden, filme que contava a reencarnação de Aleister em um jovem.

Raul Seixas e Paulo Coelho também mencionaram Crowley em seus trabalhos.

Raul ia mais longe, quando lançou Sociedade Alternativa, reclamava o direito de adorar o Deus que quisesse adorar, um hino anarquista que inclusive Paulo Coelho o ajudou a elaborar. O fato é que, após Raul ler The Book of the Law (O Livro da Lei, escrito por Crowley), seus trabalhos sempre citariam elementos atrelados aos estudos de Crowley.

Grande sucesso fez Highway to Hell, do AC/DC. A banda também fez tributo ao inferno em Hell's Bells e muitos comentários surgiram falando que os australianos venderam suas almas ao diabo. Angus Young, membro da banda, defendeu-se citando que aquilo tudo era uma resposta aos que perguntavam como era estar em uma turnê. Ele então respondia: "It's like in a highway to hell" ("É como estar numa estrada para o inferno"), dizia ele.


Atualmente...
Tais menções estão quase que restritas às bandas de black metal, gênero metaleiro que utiliza técnicas extremas no emprego de seus instrumentos e basicamente, em suas letras, trata de falar de satanismo e anti-cristo.

O excêntrico músico Marilyn Manson, sempre alegou ter pactos com o diabo. Bryan Hugh Warner (verdadeiro nome de Manson), na verdade parece ser mais fascinado por polêmica do que por qualquer outro ser maléfico.


Assim como o próprio rock, a "adoração ao coisa-ruim" vem perdendo notoriedade. Não obstante, a preferência da mídia moderna aos trabalhos politicamente-corretos, aliada às mortes e separações das grandes bandas, vem "exorcizando" os diabos da música.


26 de out de 2009

Led Zeppelin e a Mitologia Tolkeniana

Quando o Led Zeppelin lançou seu primeiro trabalho, em 1969, uma música instrumental inspirada nas mais profundas raízes da cultura irlandesa passava despercebida: o nome daquela música era Black Mountain Side e, apesar de pouca notoriedade, seu nome instigou alguns críticos da banda quanto a origem e menção que aquela música. E foi assim que o Led Zeppelin expressou suas primeiras referências às grandes histórias escritas por John Ronald Reuel Tolkien.

Além de grande escritor, Tolkien foi professor de filologia (ciência que estuda as origens dos idiomas) na Universidade de Oxford. Sempre foi fascinado pela lingüística, e após combater na Primeira Guerra, vendo e aprendendo ao longo do tempo nos campos de batalha europeus, se inspirou no que viu e criou para si um "mundo secundário" (como ele próprio descrevia), complexo e cheio de vida. Surgia então Arda e muitas histórias ali se passariam, épocas e tempos que foram divididos em "Eras", com seres imaginários e existentes no nosso mundo. Tolkien sempre associava cada elemento de suas histórias com o mundo em que vivemos, desde as configurações geográficas até o comportamento dos seres, povos e suas culturas. Dividiu Arda em regiões, continentes e países, e para cada cultura inventou um idioma e um alfabeto. Hoje, em livros especializados no tema, existem até dicionários com as expressões mais utilizadas do idioma Sindarin (o idioma mais popular dos elfos, o mais belo dos povos que viviam em Arda). É correto afirmar que tanto a pronúncia quanto a escrita destes idiomas são muito semelhantes aos que se usavam na Europa Feudal, assim como o próprio desenho de Arda se assemelhava ao velho continente.

Tolkien terminou seus trabalhos em meados de 1955, quando o rock ainda era uma criança que sequer engatinhava. Porém, suas histórias já eram famosas e se tornaram inspirações culturais para vários estilos: literatura, artes cênicas e a música.

Quando o Led Zeppelin foi formado, em 1968, ficava uma sensação de que aquela banda, com integrantes provenientes de outros conjuntos que não deram muito certo, iria fracassar. Inclusive o próprio nome da banda sugere: quando eles ainda se chamavam "The New Yardbirds", Keith Moon, o excêntrico e polêmico baterista do The Who, fez uma brincadeira falando que eles "iriam afundar como um balão de chumbo". Chumbo, em inglês, significa lead, e como naquela época os grandes balões eram os zeppelins, a banda decidiu adotar o nome apenas transformando lead em led.

Sabe-se que Black Mountain Side, na Terra-Média tolkeniana, era aonde Sauron havia forjado o seu poderoso o um anel (the one ring, em inglês), mas como aquele tema apenas era instrumental, poucas pessoas notaram esta relação. Mas no segundo trabalho da banda, em 1969, uma música co-escrita por Page e por Plant deixaria bem claro da onde surgia tanta inspiração para o seu blues-rock: Ramble On, a faixa 7 daquele álbum, contava mais uma das histórias que se passara em Arda, a partir de uma narrativa onde personagens, atitudes e lugares eram descritos abertamente.



T'was in the darkest depths of Mordor, I met a girl so fair. (Nos mais sombrios lugares de Mordor, conheci uma garota tão atraente)


But Gollum, that evil one, crept up and slipped away with her,her, her....yeah. (Mas Gollum, e o maligno, sorrateiramente a levaram e durmiram com ela)


E foi "perambulando" (ramble on, em inglês), que Frodo conheceu uma garota atraente (referência ao Um Anel), mas Gollum, e o maligno, apareceram e dormiram com "ela". Claramente este trecho da letra descreve o momento em que o Um Anel era destruído e todo o mal da Terra-Média se acabava.

24 de out de 2009

O nascimento de Pantagruel

Pantagruel é o personagem imaginário de François Rabelais, um renascentista francês. Em uma época onde o feudalismo havia desmoronado, Rabelais criou uma série de 5 livros sobre os gigantes Gargantua e o bom Pantagruel, onde fazia diversas críticas sobre a cultura da Idade Média e à Igreja, defendendo que o homem era o centro do universo.

Rabelais formou-se médico em Montpellier, doutorando-se posteriormente. Foi perseguido pela Igreja, como muitos de sua época, sendo acusado de heresia. Também foi perguido pela Sorbonne, um colégio integrante da Universidade de Paris e a faculdade mais importante de sua época, sendo acusado de obseno.

Quando Pantagruel nasceu, sua mãe morreu. Seu pai, o Gargantua, viu tudo sob olhares perplexos, pois ao mesmo tempo que via a sua esposa, Badebec, morta, também via o nascimento de seu amado filho. Seu cérebro estava atordoado com a imensa dúvida entre chorar e rir, pois havia um conflito de tristeza com felicidade. Gargantua perguntava pra si mesmo: "Como posso rir ou chorar quando a minha mente está tão transtornada?", "Oh, meu bom Deus, o que eu fiz pra você me punir assim?", "Por que não me levastes ao invés dela?". E rapidamente Gargantua dava risadas alegres, pois vinha em sua mente um motivo para sentir-se bem: o nascimento de Pantagruel. E é nesse momento que ele agradece a Deus por ter-lhe dado um belo filho, tão alegre e tão gentil. E assim Gargantua vai fazendo diversos questionamentos à Deus, inclusive perguntando sobre o porquê de Deus não ir ao enterro de Badebec em seu lugar, já que o mesmo a havia levado, segundo Gargantua, injustamente. Provavelmente, um dos diversos trechos de sua obra que serviram como argumento para Rabelais ser acusado de heresia.

E é nesse clima tenso que está ambientada a música "Pantagruel's Nativity" do álbum Acquiring The Taste de Gentle Giant. A letra da música contém diversos trechos do segundo livro de Rabelais.

"Como posso rir ou chorar
Quando
a minha mente está tão transtornada?
Badabec teve que morrer

Belo Pantagruel nasceu

Chorarei? Sim.
Mas pelo o quê?

E então rio e demonstro o meu desprezo"


Pantagruel's Nativity é uma verdadeira aventura ambientada com clima medieval, tenso e confuso sobre paradoxo da perda da amada esposa e o nascimento de um filho. É encantador o teor assombroso e a sensação de melancolia que a música nos dá desde os sintetizadores do seu início até a forma descrita como Pantugruel chega ao mundo.